
Viola Caipira

Hoje é difícil negar o papel que a escola tem na defesa, promoção e difusão das manifestações populares.
A escola é um espaço onde diferentes linguagens produzem saberes amplos e diversificados. É onde se percebe o caráter dinâmico da cultura popular.

Esclarecimento

Hoje estamos recebendo aqui na Viverde o Grupo Cultural Flor do Chitão que por meio do incentivo da Lei Paulo Gustavo conseguiu este ano divulgar a viola caipira, oferecer aulas de viola e oficinas de luthearia a muitas pessoas. Esse incentivo funciona como registro eterno da cultura caipira para lembrança perpétua que permanece na história e no patrimônio espiritual de comunidades, pessoas, famílias. São as fábulas do povo que vencem o tempo.
Menino da Porteira
Hoje vamos contar um pouco sobre a história da música caipira e da viola caipira, instrumento que tem o som tão delicado e ao mesmo tempo tão ousado.
A música caipira nascida da espontaneidade dos cantores, atravessa as veredas do tempo no galope das gerações. Em nosso país ela passou por um processo de mestiçagem com indígenas e africanos, gerando formas peculiares de cantos e danças.
"A moda caipira é branca nas formas e rimas, e africana, indígena e europeia nos pensamentos e afetos”. Darcy Ribeiro.


Chico Mineiro
A moda caipira de raiz, quem fala é o caboclo nativo e seus descendentes, desconfiados, intuitivos, místicos, sonhadores e, mais do que isso, sabidos. São aqueles que, por instinto, lêem os sinais da natureza e os interpretam.
O interior do Brasil, o Brasil rural é profundo, é seu palco preferido.
A origem da música caipira é a origem do Brasil.
Fogão de lenha
Uma das marcas da música caipira: a expressão oral, a informação boca a boca que passa de um para o outro, a música caipira se apoia no coletivo apenas verbalizado. Alguns dos maiores criadores desse gênero são gente simples, humilde, semi analfabeta ou analfabeta de vez.
" Moda bem tocada é aquela que desperta em nós uma saudade que a gente nem sabe do quê".Abaeté Renato Andrade.
Cuitelinho
A música caipira incorpora elementos da cultura indígena: respeito à natureza, louvação de matas, campos e regarias de água cristalina, deslumbramento com o canto dos pássaros, mas também o gozo das caçadas e pescarias.

Canoeiro
" A gente passa metade da vida afinando a viola. E passa a outra metade tocando nela desafinada". Pereira da Viola
Cálix Bento
Há inúmeras lendas e narrativas sobre as violas e os violeiros.
Cobra cascavel
A habilidade de tocar viola é considerada como um talento sagrado, mas diz a lenda que um violeiro pode conquistar esse dom através da magia ou de simpatias, como a da cobra cascavel.
Algumas lendas se fazem presentes sempre em nossas festas como por exemplo a da cobra cascavel que dizem que se o violeiro colocar um
guizo de cascavel dentro da boca da viola ele vai pontear a viola e o som sairá muito melhor. Na minha viola tem um guizo que ganhei de um aluno para que eu tocasse melhor.

Chora viola
Mulher
Antigamente as famílias não permitiam que mulheres aprendessem a tocar viola, até que Helena Meireles que cresceu rodeada de peões, comitivas e violeiros, fascinada pelas violas caipiras acabou aprendendo por conta própria, as escondidas. Aos poucos ficou muito conhecida. E agora vamos fazer uma homenagem a ela, mulher determinada e ousada a frente do seu tempo.
Pagodes
Fitas coloridas
É costume, principalmente em dias de festas enfeitar a viola com fitas coloridas . São 7 fitas que estão relacionadas com a superstição do número 7. O curioso é que se encontrar na viola uma fita preta, é sinal de que o violeiro que a colocou fez um pacto com o coisa ruim para aprender os dotes de tocador.

Encontro das bandeiras
Eu e minha devoção aos Santos Reis
Vou contar a história do meu vir a ser no mundo, e a minha devoção aos Santos Reis.
Minha avó, minha tia e minha mãe não tinham muito estudo, mas tinham imensa sabedoria de vida, pois certamente sabiam a importância que os afetos produzidos por essa história de vida teriam na minha existência. Souberam, como ninguém, construir, uma memória afetiva.
Vou contar para vocês sobre o dia em que eu, já apressada e com sede de viver, resolvi vir ao mundo antes da hora. E muito antes da hora! Com sete meses de gestação, em um tempo e em condições nada favoráveis à sobrevivência de uma menininha prematura.
Morávamos em uma casa simples e éramos uma família muito pobre, não havia recursos para ir ao hospital. Algumas vezes faltava até mesmo o essencial como alimentação e agasalhos. E essa é a razão do meu berço de papelão. Na verdade, uma incubadora improvisada, pois muito pequenina, com um quilo e seiscentos pesados numa balancinha de cozinha, eu nasci em
casa, e precisava de muitos cuidados. E assim me colocaram em uma caixa de sapatos forrada com muito algodão para que eu ficasse bem quentinha. Creio que Deus se emocionou com isso e me deu mais um sopro de vida fazendo com que as nuvens de algodão dessem resultado. Nasci no Dia de Reis, 6 de janeiro, e coincidentemente me chamo Regina, que significa rainha em latim, nome que meus pais já tinham escolhido para homenagear minha avó. Coincidência? Pode ser. Ou quem sabe um cuidado dos reis magos para comigo?
Eu quis muito viver, fui uma guerreira.
O desejo de vida e disposição para a luta foi o grande legado da minha ancestralidade feminina.
Gratidão eterna a essas mulheres
que defenderam a tese que amor é cuidado. agradecida pela proteção dos Santos Reis.
Reisado

Bandeira do divino
Quase dá para dizer que existe uma "Botânica da Música Caipira", pelo tanto que espécies de plantas são citadas nas modas de raiz. Quando o assunto é canoa, o caipira canta as madeiras boas para fazer embarcações, como Ximbauva , guarantã e timburi. Lugar para marcar namoro: embaixo de um
Pé de ipê ou de cedro, ou, ainda, na sombra de uma figueira. A casca da paineira serve para escrever os dois nomes e riscar um coração. E tome referências ao perfume das roseiras, ao manacá, ao jasmim, ao cheiro do alecrim, à florada do cafezal, à casinha de sapé. O criador da música caipira inspira-se no meio ambiente.
Música caipira
A música caipira nascida da espontaneidade dos cantores, atravessa as veredas do tempo no galope das gerações. Com versos cadenciados em 8 sílabas- a redondilha maior-, rimas nas linhas pares e estrofes oitavadas, a moda caipira chegou no coração das primeiras caravelas.
Em nosso país ela passou por um processo de mestiçagem com indígenas e africanos, gerando formas peculiares de cantos e danças: o cururu e o cateretê, os mais primitivos dos sons caipiras; o recortado, de origem indígena e traços africanos; a toada, melodiosa e lânguida; o pagode, moda recente e ladina, enxerto repicado do recorte mineiro com a catira; a moda de viola que se assemelha ao romanceiro tradicional.
A moda caipira é branca nas formas e rimas, e africana, indígena e européia nos pensamentos e afetos. Darcy Ribeiro.
A moda caipira de raiz, quem fala é o caboclo nativo e seus descendentes, desconfiados, intuitivos, místicos, sonhadores e, mais do que isso, sabidos. São aqueles que, por instinto, lêem os sinais da natureza e os interpretam.
O interior do Brasil, o Brasil rural é profundo, é seu palco preferido.
A origem da música caipira é a origem do Brasil.
Os jesuítas usam a catira para ensinar os indígenas a rezar.

A catira
Vinda do cateretê dos indígenas e irmã do cururu, é o primeiro gênero da música caipira a receber letra. Vai, depois dar origem ao pagode.
Uma das marcas da música caipira: a expressão oral, a informação boca a boca que passa de um para o outro, a música caipira se apoia no inconveniente coletivo apenas verbalizado. Alguns dos maiores criadores desse gênero são gente simples, humilde, semi analfabeta ou analfabeta de vez.
Um terceiro ingrediente importante na origem da música caipira é o negro escravo. A rica e espontânea musicalidade dos africanos veio dar mais qualidade à mistura luso-indígena e, assim, sem alterar seu conteúdo, aprimorou a melodia e imprimiu mais ritmo.
Há um elemento comum nas 3 raças formadoras da música caipira, "nossa moda de raizes é branca nas formas e rimas, e africana, indígena e portuguesa no pensamento e afeto. Com uma alegria que não esconde certa tristeza, o cantar caipira possui um fundo nostálgico, como se alguma coisa se tivesse perdido ao longo do tempo". Romildo Santana
" Moda bem tocada é aquela que desperta em nós uma saudade que a gente nem sabe do quê".Abaeté Renato Andrade.
"Nossa moda caipira é um subproduto da imigração, principalmente européia e africana". José Fortuna.
"Somos filhos de raças cantadeiras e dançarinas" Câmara Cascudo.
A música caipira incorpora elementos da cultura indígena: respeito à natureza, louvação de matas, campos e regarias de água cristalina, deslumbramento com o canto dos pássaros, mas também o gozo das caçadas e pescarias.
Por ser baseada na literatura oral, a música caipira tem ainda a característica de funcionar como registro eterno, para lembrança perpétua das coisas, de fatos e situações dignos de permanecerem na história e no patrimônio espiritual de comunidades, pessoas, famílias. São as fábulas do povo que vencem o tempo.
A música caipira tem um valor cultural inegável. No entanto, padece de menosprezo e preconceito em certos círculos de arrogância e pedantismo de nossas elites.
Quase dá para dizer que existe uma "Botânica da Música Caipira", pelo tanto que espécies de plantas são citadas nas modas de raiz. Quando o assunto é canoa, o caipira canta as madeiras boas para fazer embarcações, como Ximbauva , guarantã e timburi. Lugar para marcar namoro: embaixo de um
Pé de ipê ou de cedro, ou, ainda, na sombra de uma figueira. A casca da paineira serve para escrever os dois nomes e riscar um coração. E tome referências ao perfume das roseiras, ao manacá, ao jasmim, ao cheiro do alecrim, à florada do cafezal, à casinha de sapé. O criador da música caipira inspira-se no meio ambiente.
" A gente passa metade da vida afinando a viola. E passa a outra metade tocando nela desafinada". Pereira da Viola
Maria Regina Zago Leite da Silva
Mantenedora e diretora da Viverde Escola de Educação Básica
